terça-feira, 18 de outubro de 2011

Espasmo diurno. (parte I)

Hoje resolvi sair em mais uma caminhada sem destino, e mesmo não tendo um roteiro definido, comecei minha jornada pelo dique do tororó, tinha me esquecido o quão é prazeroso este ambiente. Observar as mais diferentes pessoas, passos, trajes e uma paisagem selvagem domesticada. Meus pensamentos tomaram formas e cores, a imaginação fluiu mais algo me tirou do meu estado de transe em que eu me encontrava.

Quando fui me aproximando da antiga fonte nova me deparei com um choque de realidade, que já tão costumeiro como uma árvore e uma pista não damos a devida importância, três moradores de rua sentados enfileirados quase que em fila indiana, separados por dois mm, totalmente alheios com os passantes a sua volta, sem “perturbar” a paisagem e seus passantes. O interessante é que sempre vão estar acompanhados por um saco e um papelão, uma vida totalmente sem perspectiva, motivação, rumo; Simplesmente sentados, olhando essa linda paisagem.

Como definir o dique do tororó, um grande lago cercado por grama, bancos, pista de corrida, quiosques, playground, duas pizzaria e vários passantes e no meio uma selva de pedra que é a nossa cidade. Estava precisando desse momento e sem falar que é mais um post para o meu blog.

Mas voltado aos três moradores de rua, o porquê deles, terem me chamando á atenção, tenho 15 minutos aqui sentada em um banco perto do píer, já me remexe, me balancei e, eles continuam intactos nada os emociona ou os abala isso é o que o semblante deles diz, contudo o que se passa na cabeça de quem não tem o que comer, dormir, tomar banho; entra mas um personagem na historia, esse diferente dos outros é um andarilho, com seu saco preto ao lado, vai remexendo nas lixeiras em busca do que reciclar e comer, o mesmo acaba de sair do meu campo de visão.

A vida passa tão lentamente entre os andantes, e veloz entre os automóveis; o tempo fica um pouco frio, do meu lado esquerdo uma placa 1056 dias para a copa de 2014; as obras não estão a todo vapor como deveria e gostaria os nossos governantes, em quanto as autoridades políticas só pensam em copa do mundo, varias pessoas passam fome, sede, frio não muito distantes dos centros olímpicos.

Escrevo sobre quatro pessoas cujos nomes, idade, origem, desconheço o único fato que sei é a sua situação atual, desempregados, desabrigados, famintos, sedentos de afeto, carinho, amor, dignidade e respeito, eles esqueceram o que é fazer parte da sociedade, e para os políticos eles não fazem mesmo, se não tem identidade, quanto mas titulo de eleitor.

Entra mas um personagem nessa narrativa , desta vez uma mulher uma andarilha, com seu “mundo” ao lado, certa feita escrevi um texto que falava sobre isso, um caramujo sempre carregando sua casa nas costa; com seu saco e seu papelão é como se dissesse onde eu parar vou poder descansar,

A tarde vai se despedindo com a chegada da noite, resolve dar uma identidade pros personagens dessa historia; o primeiro será José, o segundo Pedro, o terceiro Tomé, o quarto João e a mulher Maria; torná-los um pouco, mas humanos, palpáveis, de carne e osso, não diferente de mim e de você caro leitor.

Isso me lembra as tribos indígenas o filho de um é educado por todos, os problemas de um é resolvido por todos, o que se planta e caça é dividido e compartilhando pela tribo; e eles é que são primitivos.

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